02 de abril de 2026, 9h14 – A Fórmula 1 intensifica as conversas sobre possíveis mudanças no regulamento técnico que entra em vigor em 2026, porém ainda enfrenta impasses que limitam qualquer alteração de curto prazo.
Cobrança cresce antes de reunião com a FIA
Pilotos, equipes e torcedores elevam o tom das críticas enquanto uma reunião decisiva entre diretores técnicos e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) está marcada para 9 de abril. Apesar da pressão, especialistas consideram improvável a adoção de modificações profundas nos próximos meses.
Problema nasce no conceito, diz Jeff Dodds
Para Jeff Dodds, chefe da Fórmula E, a raiz das dificuldades está no desenho conceitual dos novos carros. Ele explica que, na prática, aumentar a potência elétrica — solução inicialmente vista como lógica — provoca o efeito inverso: veículos mais lentos por restrições físicas do conjunto híbrido.
Apenas duas rotas técnicas no radar
1. Mais fluxo de combustível no motor a combustão – Elevar o desempenho do motor térmico devolveria um equilíbrio “tradicional” e reduziria a necessidade de economia extrema de energia. Contudo, a medida exigiria mudanças abrangentes em motores, sistemas de refrigeração e tanques, tornando inviável qualquer implantação ainda nesta temporada.
2. Menos potência elétrica – Cortar a energia do MGU-K de 350 kW para 250 kW facilitaria a gestão de bateria e diminuiria o clipping, mas deixaria os carros mais lentos e próximos ao ritmo da Fórmula 2, cenário considerado desfavorável do ponto de vista de marketing.
Segurança entra em pauta
Com o impasse técnico, o debate migra para soluções que mitiguem riscos. Entre as propostas está a adoção de sinais luminosos que indiquem variações bruscas de velocidade ao piloto que segue, em resposta ao acidente de Oliver Bearman. O ex-piloto Patrick Friesacher lembra que a perda repentina de cerca de 470 hp do motor elétrico equivale a “quase parar” na pista. Max Verstappen avalia que o argumento da segurança pode acelerar decisões regulatórias.
Equipes testam limites das regras
Mercedes e Red Bull apostaram, em sessões de classificação, em liberar potência elétrica máxima por mais tempo e cortar o fornecimento de forma abrupta. O procedimento leva o MGU-K a um bloqueio de aproximadamente 60 segundos, gerando perda súbita de desempenho e comportamento imprevisível. A FIA observa a manobra, legal mas considerada fora do espírito das normas. A Ferrari já questiona internamente a prática.
Indústria dita rumos, lembra Dodds
Dodds ressalta que o regulamento segue a tendência de eletrificação exigida pelas montadoras. Ele revela que, embora membros da FIA tenham sugerido o retorno dos motores V8, as fabricantes rechaçaram a ideia.
Paciência antes de conclusões definitivas
Apesar da pressão crescente, Dodds pede cautela. Segundo ele, críticas surgiram antes mesmo da primeira corrida sob as novas regras, e a categoria global precisa de tempo para avaliar os reais impactos.
O tema deve voltar à mesa em 9 de abril, quando dirigentes e a FIA tentarão avançar em um consenso sobre o futuro regulamento da Fórmula 1.
Com informações de Autoracing



