As críticas às normas técnicas que a Fórmula 1 pretende adotar a partir de 2026 reacenderam o debate sobre o equilíbrio entre desempenho e espetáculo nas pistas. Para enfrentar o problema, o espanhol Antonio Cuquerella, ex-engenheiro de equipes como Super Aguri, BMW Sauber, HRT e Ferrari, apresentou uma proposta que altera parâmetros da bateria híbrida responsável por cerca de metade da potência atual dos carros.
Problema identificado
Com as regras previstas, 50 % da força total virá do sistema elétrico, mas o uso dessa energia é limitado a frações da volta. Quando a bateria se esgota, os pilotos perdem velocidade no fim das retas, fenômeno batizado de “superclipping”. O efeito compromete ultrapassagens e obriga a um estilo de condução considerado pouco natural.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) testou uma redução provisória de energia — de 9 MJ para 8 MJ — na classificação do Grande Prêmio do Japão, mas as críticas persistiram.
Simulações em Miami
Para buscar alternativas, Cuquerella simulou sete combinações distintas no Autódromo Internacional de Miami. Com o regulamento atual, os carros perderiam desempenho em dois trechos de alta velocidade: entre as curvas 8 e 11 e entre as curvas 16 e 17, totalizando 230 metros de perda só nas retas.
Proposta técnica
Entre os cenários testados, duas configurações eliminaram por completo o superclipping. A versão considerada mais equilibrada envolve:
- Potência máxima da bateria reduzida de 350 kW para 200 kW;
- Divisão de potência alterada de 50/50 para 64 % motor a combustão e 36 % energia elétrica;
- Capacidade de energia limitada de 9 MJ para 6 MJ;
- Velocidade de transição de potência diminuída de 100 kW/s para 50 kW/s.
Impactos previstos
Segundo o engenheiro, as mudanças trariam maior segurança, velocidades de topo preservadas até o fim das retas e corridas mais “naturais”, já que os pilotos teriam de poupar menos energia. Como contrapartida, a proposta prevê menor aceleração, velocidade máxima reduzida e perda aproximada de 1,4 segundo por volta no circuito de Miami.
A sugestão agora depende da avaliação da FIA, da Fórmula 1 e das equipes, que discutem ajustes nas próximas semanas.
Com informações de F1Mania.net



