O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Ben Sulayem, declarou que a Fórmula 1 poderá voltar a utilizar motores V8 já em 2030. Segundo o dirigente, o retorno do som característico desses propulsores é apenas “uma questão de tempo”, após a despedida ocorrida entre 2006 e 2013.
Regras de 2026 sob fogo cruzado
O debate sobre o futuro das unidades de potência ganhou força com o regulamento previsto para 2026, que prevê divisão igual entre energia elétrica e o motor a combustão. Pilotos e torcedores reclamam de pontos como:
- Ritmo reduzido na classificação, quando se esperaria voltas no limite;
- “Superclipping” — redução de potência do MGU-K para recarregar energia em alta velocidade;
- Diferenças de velocidade que podem gerar acidentes, como o forte choque de Ollie Bearman em Suzuka.
Mesmo após ajustes testados antes do GP de Miami, a insatisfação persiste. Lance Stroll classificou o regulamento como “fundamentalmente falho” e defendeu a volta a motores de gerações anteriores.
Mudança sem aval dos fabricantes
Ben Sulayem ressaltou que a FIA tem poder para alterar as regras sem votar com os fornecedores de unidades de potência — hoje, empresas como Audi e Honda apostam na eletrificação para permanecer na categoria. “Em 2031 a FIA poderá fazer isso sem qualquer votação. Mas queremos implementar um ano antes, porque é o que todos pedem”, afirmou.
Ele garantiu que, caso exista resistência, a entidade seguirá com o plano: “Quando tentamos explicar, dizem que não, mas o que vai acontecer, vai acontecer”.
Por que o V8?
Na avaliação do presidente da FIA, o V8 surge como opção mais coerente do que um V10, formato pouco utilizado atualmente pelos fabricantes. “O mais popular e mais fácil de trabalhar é o V8. Você tem o som, menos complexidade e menor peso”, disse. A eletrificação deve ser “muito, muito pequena”, completou.
Ben Sulayem frisou que o objetivo é concretizar a mudança em 2030: “Estou mirando 2030, um ano antes da maturidade do regulamento. Isso vai acontecer. Eles querem que aconteça”. Caso haja nova resistência, a FIA pretende executar o plano em 2031, quando terá autonomia total para fazê-lo.
Com informações de Autoracing



