Toto Wolff descartou a possibilidade de extinguir as equipes clientes na Fórmula 1, tema reacendido após críticas de Zak Brown aos modelos de dupla propriedade. Em declaração feita neste sábado, 20 de junho de 2026, o chefe da Mercedes reconheceu pontos levantados pelo dirigente da McLaren, mas advertiu que uma proibição total colocaria em risco projetos menores.
Brown questiona há anos a existência de “equipes A e B”, citando como principal exemplo a relação entre Red Bull Racing e Racing Bulls, pertencentes ao mesmo grupo empresarial desde que Dietrich Mateschitz adquiriu a Minardi em 2006. O executivo levou a discussão ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, preocupado com eventuais vantagens esportivas e técnicas.
Wolff admitiu que o debate é legítimo, porém lembrou que parcerias técnicas viabilizaram a entrada de novos competidores na categoria. “Gene Haas não teria conseguido chegar à Fórmula 1 sem o acordo com a Ferrari. Uma equipe menor não consegue produzir motor, câmbio, hidráulica e sistema de refrigeração sozinha”, afirmou.
O austríaco também recordou o período anterior ao teto orçamentário, quando os custos elevados afastavam investidores. “Na época, essas associações eram a maneira ideal de viabilizar um projeto”, explicou.
Preocupações com possíveis vantagens
Apesar de defender o modelo, Wolff reconheceu o receio de que equipes sob o mesmo controle acionário possam compartilhar conhecimentos além do permitido. “As regras são rígidas, mas é justo perguntar se existe ganho de desenvolvimento quando pessoas transitam entre as equipes ou quando se utiliza o mesmo túnel de vento”, comentou.
Ele citou o Grande Prêmio de Miami como exemplo de controvérsia: “Houve uma ultrapassagem facilitada. Isso aconteceria entre equipes sem o mesmo proprietário? Talvez sim, talvez não.”
Risco para times menores
Wolff avaliou que exigir que as 11 equipes sejam construtoras completas, com produção própria de motores, caixas de câmbio e componentes traseiros, não é viável para estruturas de menor porte. “Seria o ideal, mas como a Haas faria isso hoje? Não é possível”, disse.
Para o dirigente, a solução está em regulamentação mais objetiva. “Precisamos de regras que deixem ainda mais claro o que é permitido ou não, garantindo espaço para todos os modelos de equipe”, concluiu.
Com informações de Autoracing



