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Binotto questiona uso do ADUO pela Mercedes e aponta falhas no sistema de concessões da FIA

30 de junho de 2026, terça-feira – Mattia Binotto, responsável pelo projeto de motores da Audi na Fórmula 1, lançou dúvidas sobre a forma como a Mercedes tem se beneficiado do sistema de concessões da FIA, conhecido como ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities).

O regulamento prevê oportunidades extras de desenvolvimento para fabricantes cujas unidades de potência fiquem atrás do motor de referência apontado pela Federação. No balanço mais recente, a Red Bull-Ford foi considerada o parâmetro de desempenho, abrindo espaço para Mercedes, Ferrari, Honda e Audi receberem níveis distintos de apoio técnico.

“Mercedes soube administrar o potencial”

Em entrevista ao portal f1-insider.com, Binotto sugeriu que a Mercedes teria “gerenciado” o desempenho do seu motor a fim de se enquadrar nos critérios do ADUO. “Todos sabiam que o motor da Red Bull era forte, mas o da Mercedes não fica atrás”, afirmou. “Talvez eles não tenham mostrado todo o potencial por questões de confiabilidade ou estratégia, garantindo assim a vantagem adicional prevista nas regras.”

Críticas ao modelo de concessões

Além de apontar o suposto benefício obtido pela equipe alemã, o dirigente da Audi declarou que o atual formato desestimula o avanço contínuo. “Quando alguém conquista essa vantagem regulatória, diminui o ímpeto para seguir desenvolvendo”, disse. Ele defende que as concessões extras passem a ser distribuídas a partir de uma classificação de desempenho, semelhante ao sistema aplicado aos chassis.

Audi já aplicou primeira atualização

Mesmo criticando o regulamento, a Audi utilizou a primeira permissão de atualização na etapa de Barcelona, introduzindo, entre outros itens, um turbocompressor redesenhado para melhorar a dirigibilidade. Segundo Allan McNish, diretor de competição, o próximo grande pacote só deve aparecer em 2027. “Nossa primeira unidade se mostra robusta, e as mudanças pontuais são cruciais”, comentou à revista Auto Motor und Sport.

Honda adota estratégia parecida

A Honda, também contemplada com duas atualizações em 2026, segue um cronograma de longo prazo. O engenheiro-chefe de corridas, Shintaro Orihara, explicou que a equipe prefere concentrar recursos em um salto significativo após a pausa de verão. “Até lá, seguimos focados em extrair o máximo da unidade atual”, concluiu.

Com as diferentes abordagens das fabricantes e as críticas de Binotto, o debate sobre a eficácia do ADUO volta a ganhar força dentro do paddock.

Com informações de Autoracing

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