O comentarista e ex-piloto Martin Brundle voltou a criticar abertamente o regulamento de motores da Fórmula 1 para 2026 depois dos Grandes Prêmios da Grã-Bretanha, em Silverstone, e da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Segundo ele, as novas unidades de potência — que dividem quase igualmente a força entre o motor a combustão interna e a parte elétrica — transformaram curvas tradicionais em trechos de aceleração plena, eliminando um dos principais desafios dos traçados.
Brundle declarou ter ficado “com os olhos marejados” ao perceber a mudança no caráter das curvas rápidas dos circuitos. “Perdemos todas as grandes curvas de Silverstone e agora estamos diante do mesmo cenário em Spa”, afirmou durante transmissão da Sky F1. Para o britânico, a categoria precisa abandonar “o mais rápido possível” o conceito atual, defendendo modificações profundas até, no máximo, 2030 ou 2031.
Alerta prévio do podcast “Loucos por Automobilismo”
Meses antes, Adauto Silva e Luciano Neto já apontavam no podcast “Loucos por Automobilismo” que os carros teriam dificuldades em pistas de alta velocidade por causa da gestão de energia das baterias. A previsão se confirmou em Silverstone e Spa — e poderá se repetir em etapas como Monza, Baku, Las Vegas e Interlagos, ainda no calendário de 2026.
Ajustes anunciados pela FIA
Diante das críticas iniciais ao regulamento, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) prometeu pequenos ajustes nos próximos dois anos para aumentar ligeiramente a potência do motor a combustão interna (ICE). Mesmo assim, Brundle considera a medida insuficiente e apoia a ideia do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, de trazer de volta os motores V8 movidos a combustíveis sustentáveis até 2030 ou 2031 — proposta tida como pouco provável diante da preferência das montadoras por tecnologias elétricas ou híbridas.
Pilotos sentem a perda de potência
Durante o fim de semana em Spa, Max Verstappen descreveu o segundo setor do circuito como “uma combinação estranha”, comparando a potência disponível sem deployment ao nível de um carro de Fórmula 3 aliado ao alto nível de downforce de um F1. Kimi Antonelli e Lando Norris também relataram mudanças significativas: para Norris, a tradicional curva dupla Pouhon “já não é mais uma curva” porque agora é feita com o acelerador totalmente aberto.
A transmissão oficial da F1 exibiu poucas imagens onboard em Spa, numa tentativa de reduzir a percepção pública dos problemas de velocidade nas retas, conforme apontado pelo “Loucos por Automobilismo”. A performance aquém do esperado de George Russell, especialmente nas seções de alta, reforçou o debate durante a cobertura da Sky.
Brundle considera que o excesso de complexidade operacional imposto aos pilotos e às equipes mina o espetáculo nos circuitos mais rápidos. O britânico afirma que mudanças adicionais já estão sendo estudadas para 2027 e 2028, mas insiste que a categoria deve “livrar-se deste conceito” sem esperar pelo prazo máximo definido nos planos atuais.
Com informações de Autoracing



