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Telemetria de Spa expõe novas exigências de gestão de energia na F1 de 2026

Dados de telemetria da Mercedes indicam que o gerenciamento de energia se tornou elemento decisivo na temporada 2026 da Fórmula 1. A equipe comparou as voltas mais rápidas de Andrea Kimi Antonelli no Treino Livre 1 do Grande Prêmio da Bélgica de 2025 e 2026, revelando mudanças profundas no comportamento dos carros em Spa-Francorchamps.

Metade da potência agora é elétrica

Até 2025, cerca de 80 % do desempenho vinha do motor a combustão (ICE) e 20 % do sistema híbrido. Com o novo regulamento, a divisão aproximou-se de 50/50, mantendo a potência total acima de 700 kW.

A alteração foi possível mesmo com a retirada da MGU-H, sistema que convertia calor dos gases de escape em eletricidade desde 2014. A eliminação desse componente reduziu custos e complexidade, ao passo que a MGU-K passou de 120 kW para 350 kW sem aumento significativo de tamanho ou peso.

O fluxo máximo de combustível caiu de 100 kg/h para cerca de 75 kg/h, valor que varia conforme a densidade do combustível sustentável obrigatório em 2026.

Efeito nas retas de Spa-Francorchamps

Na reta principal, Antonelli foi levemente mais lento em 2026 porque poupou bateria para a longa aceleração após a La Source. Ao liberar grande parte dos 350 kW extras da MGU-K na saída da Curva 1, ganhou velocidade adicional na Eau Rouge e na Raidillon em relação a 2025.

Porém, a energia se esgotou antes do fim da reta Kemmel, reduzindo a aceleração na segunda metade do trecho. A distribuição em rajadas, e não contínua, mostrou-se mais vantajosa com o novo conjunto híbrido.

Estratégia em curvas médias e curtas

Entre as Curvas 5 e 7, as velocidades mínimas pouco mudaram. Já no curto trecho que liga as Curvas 7 e 8, o carro de 2026 ficou visivelmente mais lento: a equipe preferiu guardar energia elétrica, pois o ganho de tempo seria pequeno numa aceleração tão curta.

Superclipping reaparece

Do complexo de alta velocidade entre as Curvas 10 e 14, Antonelli optou pelo superclipping — redução deliberada de ritmo para recuperar carga — fenômeno observado também em Melbourne e Silverstone. A velocidade menor nas curvas permitiu recarregar a bateria para o setor final da pista.

Esgotamento no fim da volta

Ao sair da Curva 15, o piloto utilizou quase toda a energia restante, mas chegou à Curva 16 com a bateria praticamente vazia, perdendo mais de 48 km/h em relação à aceleração inicial. O episódio ilustra a necessidade de planejar cada aplicação de potência elétrica ao longo da volta.

Com aumento de recuperação de 2 MJ para 9 MJ por volta, eliminação da MGU-H e aumento da potência da MGU-K para 350 kW, a temporada 2026 exige que pilotos e engenheiros equilibrem consumo, regeneração e estratégia de maneira muito mais precisa do que nos anos anteriores.

Com informações de Autoracing

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