No GP da Malásia de F1, realizado em Sepang, questões relacionadas ao controle da potência elétrica ganharam destaque após um incidente que complicou a largada da corrida. A situação evidenciou um desafio significativo enfrentado pelos carros de 2026: equilibrar o motor a combustão, a assistência elétrica e as limitações de segurança em condições de pouca aderência.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) reconheceu a falha de software e pediu desculpas pelo tumulto antes do início da corrida. Mas como a potência elétrica se comporta em pista molhada e qual a sua influência na aceleração? A redução da potência elétrica é uma medida de segurança que se faz necessária em situações de chuva.
O MGU-K, que pode fornecer até 350 kW (cerca de 476 cv), não mantém essa potência em níveis constantes ao longo da volta. Além da carga da bateria, é preciso respeitar limites e parâmetros específicos, que são ainda mais rigorosos em condições de baixa aderência. O objetivo é controlar o torque e facilitar a dirigibilidade do carro, evitando que uma entrega excessiva de potência cause patinagem dos pneus.
Quando o software falha em gerenciar a transição entre essas restrições e a aceleração, surgem problemas. O MGU-K atua como motor e gerador elétrico, auxiliando na aceleração, mas não aciona diretamente o turbo, que é movido pela energia dos gases de escapamento.
Durante a volta de formação, a velocidade extremamente baixa de alguns carros revelou a falha do sistema, que não permitiu a retomada da entrega de potência. Embora a baixa velocidade tenha provocado o problema, a FIA esclareceu que a causa não se resume à rotação do turbo, mas sim a uma falha de gerenciamento.
Após a intervenção dos técnicos, algumas restrições de potência foram suspensas, permitindo que o procedimento de largada fosse retomado. Contudo, a alteração não significa que a potência máxima foi liberada em toda a volta, uma vez que as condições da pista e o trecho influenciam as restrições aplicadas.
Além disso, é importante diferenciar entre potência e energia. Os kW medem a potência elétrica em um determinado momento, enquanto os MJ indicam a quantidade total de energia consumida. Por exemplo, a entrega constante de 250 kW por quatro segundos resulta em 1 MJ de energia utilizada.
O episódio em Sepang ressaltou a necessidade de um gerenciamento eletrônico eficaz que não apenas controle o desempenho, mas também garanta uma resposta previsível do carro quando os pilotos tentam acelerar.
Fonte: Autoracing Fórmula 1.



