Os sistemas de freio são parte fundamental do desempenho na Fórmula 1, e dois fornecedores dominam o grid: Brembo e Carbon Industrie. A troca desses componentes ganhou destaque em 2025, quando Lewis Hamilton passou da Mercedes, usuária dos componentes da Carbon Industrie, para a Ferrari, equipada com Brembo.
Impacto imediato no estilo de pilotagem
Na apresentação do SF-25, Hamilton reconheceu que precisou “reaprender” hábitos desenvolvidos ao longo de 15 anos utilizando freios Carbon Industrie. Segundo o britânico, os Brembo entregam uma resposta inicial mais agressiva e exigem uso mais constante de freio-motor, algo que ele “jamais havia empregado antes”.
Principais diferenças técnicas
Mordida inicial (brake bite): os discos Brembo oferecem potência logo nos primeiros milímetros de pedal, o que favorece frenagens curtas e fortes.
Modulação: a Carbon Industrie apresenta progressão mais suave, facilitando a técnica de trail braking, na qual o piloto alivia gradualmente a pressão durante a entrada de curva.
Refrigeração: os componentes da CI suportam temperaturas mais altas antes de vitrificar. Já os Brembo aquecem mais rápido, característica útil em trechos curtos ou condições frias.
Consistência de pedal: pilotos relatam que os CI mantêm sensação mais estável em stints longos; os Brembo podem variar conforme desgaste ou temperatura.
Exemplos em pista
No GP do Bahrein, o engenheiro Riccardo Adami orientou Hamilton a frear 10 metros antes, adotando referência semelhante à de Charles Leclerc. Gráficos de telemetria comparando 2024 (Mercedes) e 2025 (Ferrari) mostram a aplicação do pedal da Ferrari começando ligeiramente mais cedo, efeito atribuído à maior agressividade inicial dos Brembo.
A análise também destaca que, com os CI, Hamilton conseguia liberar o freio de forma mais gradual, mantendo velocidade superior em curvas como as de números 1, 4 e 10 no traçado barenita.
Desafios térmicos em Singapura
O circuito urbano de Singapura expôs o limite térmico do conjunto. Nas voltas finais da prova de 2025, o freio dianteiro esquerdo do SF-25 superaqueceu e chegou a emitir faíscas. A Ferrari introduziu novo material de pastilhas a pedido do piloto, mas o problema persistiu, obrigando Hamilton a adotar o método lift and coast para controlar temperaturas.
Ajustes em andamento
Tanto Ferrari quanto Brembo trabalham para adequar o sistema às preferências do heptacampeão. Mesmo durante o processo de adaptação, Hamilton já obteve uma pole na Sprint e venceu o GP da China, indícios de progresso com o novo conjunto.
Com informações de Autoracing



