Charlotte (EUA) – O professor de economia Edward Snyder afirmou em tribunal que a 23XI Racing e a Front Row Motorsports deveriam receber, juntas, mais de US$ 360 milhões em indenizações no processo antitruste movido contra a NASCAR.
O depoimento abriu, na última segunda-feira (9), a segunda semana de audiência do caso. Snyder, convocado pelas equipes, foi questionado durante quase três horas pelo advogado Jeffrey Kessler, representante dos autores. Em seguida, enfrentou aproximadamente duas horas de interrogatório por parte da defesa da NASCAR no mesmo dia, além de mais 45 minutos na terça-feira.
Valores e metodologia
Segundo o economista, a 23XI Racing teria direito a US$ 215,8 milhões, enquanto a Front Row Motorsports deveria receber US$ 148,9 milhões. Os cálculos foram divididos em três categorias:
- Lucros perdidos por redução de receitas entre 2021 e 2024;
- Desvalorização no valor de mercado das equipes em razão de condutas anticompetitivas;
- Receitas adicionais não obtidas por competirem como “Open teams” na temporada 2025.
Para chegar às conclusões, Snyder analisou demonstrações financeiras, contratos de charter, trocas de mensagens internas, dados de mercado publicados por Forbes e Sportico, calendário da NASCAR e histórico de entrada e saída de equipes na Cup Series.
Acusações de práticas anticompetitivas
No processo aberto em 2 de outubro de 2024, 23XI e Front Row alegam que a NASCAR mantém monopólio por meio de cláusulas de exclusividade com autódromos, equipes e fornecedores de carros, criando barreiras desde 2015. Snyder afirmou que, diferentemente de outras ligas — como NFL, NBA, Fórmula 1 e PGA Tour —, a NASCAR não deixou espaço para ligas concorrentes e paga às equipes percentuais inferiores de receita.
O especialista citou exemplos de pressão competitiva em outros esportes, como o surgimento do LIV Golf contra o PGA Tour e propostas de campeonatos paralelos à Fórmula 1, que resultaram em melhores termos financeiros para participantes. Para Snyder, a NASCAR, ao contrário, reagiu inserindo mais cláusulas de exclusividade.
Ele destacou ainda que, na vigência do acordo de 2016, as equipes da Cup Series receberam em média 25% da receita, ante 45% na Fórmula 1. Entre as 19 equipes que assinaram aquele acordo, 11 deixaram a categoria até 2025, e 13 venderam seus charters no período.
Pontos levantados pela defesa da NASCAR
Durante o contra-interrogatório, o advogado Lawrence Buterman contestou as comparações com a Fórmula 1, lembrando que a categoria também impõe cláusulas de não concorrência às equipes. Snyder admitiu não ter analisado contratos de autódromos da F1. A defesa citou ainda a IndyCar como exemplo mais próximo, mas o economista disse não haver dados financeiros disponíveis para análise.
A NASCAR argumentou que nunca impediu o surgimento de outra série de stock cars em mais de 50 anos e questionou a falta de detalhes sobre quem poderia ter criado um campeonato concorrente. Também foi mencionado que a Furniture Row Racing deixou a Cup Series não por questões financeiras da NASCAR, mas após o aumento de custos num acordo técnico com a Joe Gibbs Racing; Snyder respondeu ter se baseado em reportagem da ESPN que citava falta de recursos.
O julgamento prossegue sem data definida para a sentença.
Com informações de RACER



