Em 1986, o Benetton B186, equipado com o motor BMW M12/13 turbo, atingiu patamares de potência que jamais voltaram a ser registrados na Fórmula 1: estimados 1.400 cavalos durante as sessões de classificação. Quase quatro décadas depois, nenhum outro monoposto superou esses números.
Origem do motor
O propulsor BMW M12/13 era um quatro-cilindros em linha de 1,5 litro, sobrealimentado por turbocompressor KKK e gerenciado eletronicamente pela Bosch. Ele derivava do bloco M10, lançado em 1961 para carros de rua como o BMW 2002 e a Série 3. Para a F1, a BMW selecionava blocos que já haviam rodado mais de 100 mil quilômetros, sob o argumento de que eventuais tensões de fundição estariam eliminadas.
Havia, ainda, um método incomum de tratamento superficial: segundo relatos da época, os engenheiros deixavam os blocos ao relento e até urinavam sobre eles, método que teria efeito de nitretação e aumentaria a dureza do metal.
Estreia e evolução
O motor chegou à F1 em 1982, impulsionando a Brabham. Na configuração de corrida, entregava cerca de 640 cv; na classificação, 850 cv. Em 1983, Nelson Piquet tornou-se o primeiro campeão mundial com um carro turbo.
Entre 1984 e 1985, Arrows e ATS também utilizaram a unidade alemã, mas sem vitórias. A escalada de potência atingiu o auge em 1986, quando BMW passou a fornecer motores à recém-criada Benetton. Naquele ano:
- a configuração de corrida entregava aproximadamente 850 cv;
- na classificação, o conjunto operava com até 5,5 bar de pressão de turbo, chegando aos estimados 1.400 cv—valor superior ao limite do dinamômetro da própria fábrica, que marcava 1.280 cv.
Desempenho em pista
Com tamanha potência, o B186 registrou números impressionantes:
- pole de Teo Fabi em Zeltweg (Áustria) com média de 256,03 km/h;
- velocidade de 352,22 km/h para Gerhard Berger em Monza (Itália); Fabi passou a 349,85 km/h no mesmo ponto;
- no México, Berger alcançou 345 km/h em sexta marcha e conquistou sua primeira vitória—também o último triunfo de um motor BMW turbo na F1.
Os motores tinham resposta abrupta. Berger relatou atraso de até dois segundos entre acionar o acelerador e a liberação total da força. Para as sessões de classificação, a equipe instalava engrenagens mais curtas, pneus especiais e, às vezes, até freios diferentes, todos projetados para durar apenas uma volta rápida.
Fim da era turbo ilimitada
A escalada de desempenho levou a FIA a rever o regulamento: em 1987, os motores aspirados voltaram, enquanto os turbos passaram a ter limites mais rígidos de combustível e pressão, sendo banidos ao fim de 1988. Desde então, nenhuma configuração ultrapassou a marca estabelecida pelo BMW M12/13.
Os atuais V6 1,6 litro turbo-híbridos, introduzidos em 2014, combinam cerca de 600 cv do motor a combustão com 160 cv de sistemas de recuperação de energia, totalizando perto de 760 cv—pouco mais da metade do pico alcançado pelo B186.
Assim, o Benetton B186 permanece como referência histórica de potência na Fórmula 1.
Com informações de Autoracing



