Charlotte (EUA) – A NASCAR iniciou na quarta-feira (10) a apresentação de sua defesa no processo antitruste movido por duas equipes ao levar ao tribunal o vice-presidente executivo e diretor de desenvolvimento de competição, John Probst, responsável pelo projeto do carro Next Gen.
Probst, que chegou à entidade em 2016 após passagens por Chip Ganassi Racing, Red Bull Racing e Ford, relatou que as discussões sobre o novo carro começaram em 2017 com três objetivos principais: reduzir despesas das equipes, ampliar a paridade em pista e atrair novos fabricantes.
Investimento e propriedade intelectual
Segundo o dirigente, a NASCAR ficou encarregada de conceber e projetar todas as peças do Next Gen, sem participação financeira ou técnica das equipes. O investimento total já se aproxima de US$ 14 milhões, distribuídos em:
- mais de US$ 1 milhão no desenvolvimento do assoalho (underwing);
- centenas de milhares de dólares no flap do difusor;
- entre US$ 4 milhões e US$ 4,5 milhões em testes de segurança na fase de criação;
- de US$ 2,5 milhões a US$ 3 milhões aplicados anualmente em novos testes de segurança.
A NASCAR e as montadoras detêm os direitos de propriedade intelectual (IP) do projeto. Probst afirmou que seria “muito incomum” uma empresa investir quantias tão altas sem proteger legalmente o resultado.
Custos para as equipes
De acordo com o executivo, cada equipe pode ter até sete chassis por carro com charter, mas não é obrigada a adquirir esse número. Ele também informou que a entidade não lucra com peças de fornecedor único.
Outras cobranças indicadas por Probst:
- taxa anual de inscrição: US$ 134 mil;
- licença: US$ 6 mil;
- serviço de Wi-Fi opcional nos autódromos, com quatro níveis; o plano mais caro custa US$ 15 mil por mês, contratado atualmente pela 23XI Racing.
Efeitos do Next Gen
Questionado, Probst disse que o novo carro reduziu gastos, citando dados de preços de componentes, e contribuiu para a chegada de novas equipes, como Trackhouse Racing e 23XI Racing. Ele também apontou maior equilíbrio competitivo, refletido em mais vencedores durante a temporada, e mostrou otimismo quanto à entrada de uma montadora inédita até 2027.
Sobre as queixas de aumento de despesas, o dirigente argumentou que a competição, e não o regulamento, impulsiona os custos, mencionando investimentos das próprias equipes em pessoal, infraestrutura e viagens.
Reparos, penalidades e comparação com o carro anterior
O Next Gen possui diretrizes específicas para reparo de componentes a fim de evitar modificações que possam gerar vantagem em pista. Probst recordou a punição aplicada à equipe de Brad Keselowski em 2022, quando alterações na traseira do carro foram descobertas. As próprias equipes apoiaram a existência de penalidades para esses casos.
Ele explicou ainda que atualizar o antigo carro da sexta geração exigiria investimento semelhante e não resolveria as preocupações de custo e tecnologia, tornando mais prático adotar um modelo totalmente novo.
Debate sobre uso em outras categorias
No contrainterrogatório, o advogado Jeffrey Kessler, que representa 23XI Racing e Front Row Motorsports, destacou que o Next Gen não pode ser utilizado em outros campeonatos, o que não ocorria com o carro anterior. Probst respondeu que, caso solicitado, o uso poderia ser autorizado, reiterando a necessidade de proteger as patentes para evitar a criação de séries “copiadas”.
O julgamento prossegue com novos depoimentos previstos nos próximos dias.
Com informações de RACER



