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Berger vê regulamento da Fórmula 1 para 2026 como ruptura com o “automobilismo clássico”

Gerhard Berger, vencedor de dez Grandes Prêmios de Fórmula 1, declarou que o conjunto de regras previsto para 2026 representa uma quebra brusca com a essência histórica da categoria. A avaliação foi feita em entrevista publicada nesta terça-feira, 3 de março de 2026, pelo jornal austríaco Salzburger Nachrichten.

“Salto quântico” afasta referências do passado

Aos 66 anos, o ex-piloto afirmou que até recentemente ainda se reconhecia nos parâmetros técnicos da F1. “Até agora, os parâmetros eram semelhantes aos da minha época. Porém, isso é um salto quântico tão grande que estou com dificuldade para acompanhar”, disse Berger.

Ênfase elétrica causa desconforto

O ponto que mais incomoda o austríaco é o foco ampliado em eletrificação e recuperação de energia. Segundo ele, a necessidade de aliviar o acelerador antes das retas para armazenar potência contraria o estilo tradicional de atacar cada metro do traçado. “Agora, com todas essas questões elétricas envolvendo o motor a combustão, você precisa tirar o pé mais cedo para ter mais potência na próxima reta. Sinceramente, estou lutando com isso”, admitiu.

Max Verstappen chegou a comparar os futuros carros a “uma Fórmula E com esteroides”, comentário que, para Berger, ilustra o peso da eletrificação na condução.

Críticas ao processo de decisão

Além dos aspectos técnicos, Berger questionou o excesso de regulamentação e o perfil de quem define as normas. “Decisões são tomadas em mesas onde se sentam pessoas que não têm o verdadeiro espírito do automobilismo”, disparou. Mesmo assim, o ex-piloto disse manter a mente aberta: “Fico feliz em ser surpreendido. Afinal, quem vencia na minha época venceria hoje e vice-versa”.

Paddock repercute preocupações

As observações de Berger foram reforçadas por Helmut Marko. O ex-consultor da Red Bull afirmou ao Kleine Zeitung que o piloto, agora, precisa administrar a volta inteira, não apenas buscar a máxima velocidade em cada curva.

Christian Danner, ex-piloto e comentarista, classificou o novo regulamento como “completo absurdo” e defendeu regras mais simples. Ele elogiou a franqueza de Verstappen, um dos poucos, segundo Danner, com liberdade para criticar publicamente. O alemão também reconheceu o desafio enfrentado pelo CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, em manter o campeonato atraente diante das mudanças.

As novas normas técnicas, que entram em vigor na temporada 2026, concentram o debate no paddock e dividem opiniões entre nomes históricos e atuais da principal categoria do automobilismo mundial.

Com informações de Autoracing

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