A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) confirmou que, a partir de 1º de junho, a verificação da taxa de compressão dos motores de Fórmula 1 passará a ser feita com o propulsor aquecido a 130 °C. A medida, batizada de “teste quente”, pretende fechar brechas detectadas no atual procedimento, realizado em temperatura ambiente.
Em participação no podcast “The F1 Show”, da Sky, a ex-engenheira de desenvolvimento da Force India (hoje Aston Martin) e da McLaren, Bernie Collins, colocou em dúvida a efetividade da nova checagem. Segundo ela, os motores da categoria chegam a operar entre 350 °C e 400 °C, bem acima dos 130 °C estipulados pela entidade, o que pode limitar o efeito prático da mudança.
Suspeita de benefício à Mercedes
A compressão do motor tornou-se tema central nos bastidores antes da temporada 2026. Especula-se que a Mercedes tenha encontrado uma solução para cumprir o teste atual, feito em ambiente frio, e ao mesmo tempo elevar a compressão quando o propulsor atinge temperaturas mais altas. O eventual ganho de desempenho citado por diferentes fontes vai de insignificante até alguns décimos por volta.
Até agora, a equipe alemã monopolizou a primeira fila nas etapas de Melbourne, Xangai e Suzuka, além de vencer todas as corridas. Mesmo com a pressão crescente de Ferrari e, mais recentemente, McLaren, a Mercedes lidera o Mundial de Construtores com 45 pontos de vantagem. Entre os pilotos, Kimi Antonelli está nove pontos à frente do companheiro George Russell.
“Nada incomum na F1”, diz Collins
Collins lembrou que interpretações criativas do regulamento são frequentes na categoria. “Todos leem as regras e pensam no que elas dizem — e, principalmente, no que não dizem — para passar no teste”, comentou. Ela comparou a situação ao endurecimento dos ensaios de flexão das asas traseiras implementado no meio da temporada passada.
Apesar do novo protocolo de compressão já ter data para começar, Collins ressalta que só será possível medir o impacto real após algumas corridas. “A Mercedes já afirmou várias vezes que não será afetada. Assim como aconteceu com as asas traseiras, ainda não sabemos que efeito isso terá em cada equipe”, concluiu.
Com informações de F1Mania



