A temporada de 2026 marcará uma das alterações de regulamento mais profundas já aplicadas à Fórmula 1, e o ex-diretor técnico da Jordan e da Jaguar, Gary Anderson, demonstra preocupação com os possíveis efeitos das mudanças.
O que muda nos carros
O novo conjunto de regras coloca fim à atual era do efeito solo. O downforce gerado pelo assoalho será reduzido quase a zero, obrigando as equipes a adotarem pisos mais planos. As asas dianteiras ficarão mais estreitas e simplificadas, enquanto as traseiras serão ligeiramente menores.
A principal novidade é a aerodinâmica ativa. Em substituição ao DRS, as asas passarão a operar em dois modos: um para curvas, outro para retas. Nas retas, ambos os elementos aerodinâmicos vão diminuir o arrasto de forma agressiva, o que, em teoria, deverá facilitar ultrapassagens e elevar as velocidades finais.
Possíveis consequências técnicas
Para Anderson, o pacote pode abrir “uma caixa de Pandora”. Ele prevê carros mais complexos e difíceis de acertar, o que pode provocar grande diferença de desempenho entre as equipes. O ex-engenheiro teme que a categoria perca o equilíbrio alcançado em 2025, quando apenas 1,6 segundo separou o mais lento no Q1 do mais rápido no Q3 em Abu Dhabi. Com o novo regulamento, algumas equipes poderiam largar até três segundos atrás do ritmo ideal já no primeiro Grande Prêmio de 2026.
Unidades de potência sob escrutínio
Outra fonte de apreensão está nas novas unidades de potência. A partir de 2026, os propulsores utilizarão combustível 100% sustentável e deixarão de contar com o MGU-H. A energia elétrica passará a fornecer quase metade da potência total—hoje, responde por cerca de 20%.
Segundo Anderson, a maior dependência da bateria pode dificultar a entrega de potência plena quando o piloto acelera, algo que ocorre em 60% a 70% da volta. Ele aponta que, mesmo com o sistema atual, carros às vezes perdem velocidade no fim das retas por falta de energia extra.
Impacto no papel dos pilotos
O engenheiro avalia que a necessidade de gerenciar a energia elétrica em cada trecho do circuito pode reduzir o instinto dos pilotos nas saídas de curva e transferir maior protagonismo aos engenheiros. “Erros no início do ciclo podem assombrar uma equipe por anos”, adverte.
Alternativas sugeridas
Anderson defende um caminho menos radical, com carros menores e mais leves, maior diferença de desempenho entre compostos de pneus e ajustes aerodinâmicos pontuais para reduzir a sensibilidade à altura do assoalho. Ele acredita que eliminar por completo o chamado “ar sujo” é impossível, pois qualquer superfície aerodinâmica gera turbulência.
Incerteza competitiva
Há rumores de que a Mercedes estaria avançada no desenvolvimento das futuras unidades de potência, mas Anderson considera prematuro apontar favoritos. Para ele, pode levar tempo até que o grid volte a apresentar o nível de equilíbrio visto na temporada de 2025.
Com informações de Autoracing



