HomeFórmula 1Ferrari tenta recolocar Hamilton na rota das vitórias a partir de 2026

Ferrari tenta recolocar Hamilton na rota das vitórias a partir de 2026

Maranello — Há um ano, a tradicional reunião de fim de temporada na fábrica da Ferrari era carregada de otimismo. A equipe havia reagido no segundo semestre de 2024, perdeu o Mundial de Construtores para a McLaren somente na última corrida e se preparava para receber Lewis Hamilton, heptacampeão mundial, em janeiro de 2025.

Doze meses depois, o clima é bem diferente. A escuderia encerrou 2025 sem vencer um Grande Prêmio e viu Hamilton terminar a temporada sem sequer subir ao pódio. “Começamos em desvantagem no Bahrein e, depois, veio a desclassificação na China. Isso nos colocou contra a parede”, resumiu o chefe da equipe, Frédéric Vasseur.

Primeiros contratempos

No segundo GP do ano, em Xangai, o carro de Charles Leclerc ficou abaixo do peso mínimo e o de Hamilton apresentou desgaste excessivo no assoalho, causando a exclusão dos dois resultados. Segundo Vasseur, a punição custou “um terço da temporada” e contribuiu para o déficit de 110 pontos em relação à McLaren nas primeiras provas.

Desempenho aquém do esperado

A Ferrari instalou uma nova suspensão no fim do calendário para coletar dados de 2026, mas a atualização não chegou a mudar o panorama de 2025. Na classificação, Leclerc obteve uma pole e fechou o ano com média de posição de largada em 5,46. Hamilton, prejudicado por três eliminações consecutivas no Q1 nas últimas etapas, terminou com média 9,04 — apenas Kimi Antonelli separou os dois ferraristas nos números gerais.

Os pequenos detalhes, diz Vasseur, fizeram a diferença. Em Budapeste, por exemplo, Leclerc superou Hamilton por um décimo no Q2 e depois cravou a pole; o britânico ficou em 12º, 0s247 mais lento. Em Abu Dhabi, apenas 0s076 separaram os carros que ocuparam do oitavo ao 15º lugar no Q2.

Adaptação mais complexa que o previsto

Hamilton trocou a Mercedes — sua casa por duas décadas se incluído o período na McLaren-Mercedes — pela Ferrari, e a mudança, revelou Vasseur, foi subestimada. “Cada software, cada componente, cada pessoa ao redor dele é diferente. Se você não domina tudo, deixa centésimos na mesa”, disse o dirigente.

O impacto da troca chega a detalhes como o fornecedor de freios, alterado em 2025. Vasseur admite que equipe e piloto ainda buscam “entender exatamente o que o outro precisa” para extrair o potencial do conjunto.

Trabalho de inverno

Sem folga prolongada, Ferrari e Hamilton planejam um período intenso na fábrica de Fiorano. O objetivo é alinhar processos e corrigir os “dez tópicos de três centésimos” que, somados, colocam o SF-25 três décimos atrás dos rivais, nas palavras de Vasseur.

A temporada 2026, com novo regulamento técnico, reforça a necessidade de integração. Para Vasseur, a solução passa por “melhorar em todos os lugares” — da colaboração entre as áreas internas à forma como Hamilton ajusta o carro. “Não existe bala de prata. Precisamos atacar ponto a ponto”, afirmou.

Em janeiro, o britânico foi fotografado diante da casa de Enzo Ferrari, em Fiorano, marcando o início de uma era que parecia promissora. Hoje, o prédio passa por reformas estruturais, metáfora para o trabalho que a equipe diz estar disposta a enfrentar para restaurar o caminho das vitórias.

Com informações de RACER

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