A segunda-feira, 02 de março de 2026, começou com a Fórmula 1 em estado de alerta. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã provoca incerteza sobre as etapas do Oriente Médio e já afeta o deslocamento de equipes e equipamentos para a abertura da temporada em Melbourne, marcada para 08 de março.
Voos cancelados e pessoal retido no Bahrein
O fechamento de espaços aéreos estratégicos levou ao cancelamento de voos e deixou delegações de Mercedes, McLaren e Pirelli no Bahrein sem previsão de saída. O grupo participaria de um teste de pneus que acabou cancelado, e inclui o piloto reserva Nyck de Vries.
Governos do Reino Unido e da Holanda emitiram orientação de não viagem ao Bahrein, medida que também pode comprometer coberturas de seguro. A proximidade de uma base norte-americana — relatada como alvo de ataques iranianos — com o Circuito Internacional do Bahrein intensificou a preocupação dentro do paddock.
Calendário sob revisão
A Fórmula 1 analisa cenários de contingência caso Bahrein e Arábia Saudita, agendados para abril, precisem ser cancelados. Ataques recentes atingiram ainda Emirados Árabes Unidos, impactando Dubai e Abu Dhabi. A organização trabalha com prazo de até duas semanas para definir um plano, enquanto Ímola (Itália) e Portimão (Portugal) aparecem como possíveis opções para preencher eventuais lacunas entre o GP do Japão (27 a 29 de março) e o GP de Miami (01 a 03 de maio).
Após os testes de pré-temporada, itens de logística não essenciais às primeiras três corridas — Austrália, China e Japão — permaneceram no Bahrein para facilitar o fluxo de cargas. Um eventual cancelamento obrigaria a F1 a redesenhar toda a rota de transporte desses materiais.
Organização australiana tenta acalmar torcedores
Travis Auld, CEO do GP da Austrália, afirmou que não espera impacto significativo na etapa de Melbourne. Segundo ele, a carga já se encontra no circuito de Albert Park e a experiência da categoria em reorganizar voos deve garantir a presença de todas as equipes a tempo do evento.
Aston Martin cogita participação apenas protocolar
Relatos apontam que a Aston Martin considera alinhar no grid australiano apenas para cumprir o regulamento e abandonar a prova nas primeiras voltas. Após testes frustrantes em Barcelona e no Bahrein, o time teme danos ao motor Honda desenvolvido para o projeto chefiado por Adrian Newey.
Vibrações teriam provocado quebras na bateria do sistema híbrido, e o chefe da divisão HRC da Honda, Ikuo Takeishi, admitiu “cenário muito difícil”. O engenheiro Andy Cowell foi enviado ao Japão para auxiliar na solução. No último dia de testes, o carro da equipe completou somente seis voltas.
FIA pode flexibilizar parque fechado em caso de chuva
Em meio aos problemas logísticos, a FIA estuda permitir ajustes de acerto entre classificação e corrida quando houver risco de chuva superior a 40%. A autorização poderá ser emitida até duas horas antes de cada sessão e contemplará itens pré-definidos, como altura do carro e ângulo das asas, sem a tradicional punição de largar do pit-lane.
A decisão visa reduzir desvantagens competitivas em fins de semana instáveis, mantendo, entretanto, uma lista restrita de alterações permitidas.
Com o calendário sob pressão, equipes e promotores aguardam as próximas duas semanas para saber se as corridas no Oriente Médio seguirão como previsto ou se a temporada 2026 sofrerá alterações já nos primeiros meses do ano.
Com informações de F1Mania.net



