Spielberg (Áustria), 29 de junho de 2026 – A sequência de novidades técnicas apresentadas pela Ferrari desde a pausa de abril voltou a causar desconforto no paddock da Fórmula 1. Após o Grande Prêmio da Áustria, Toto Wolff, chefe da Mercedes, questionou publicamente como a escuderia italiana mantém um fluxo tão intenso de atualizações em plena vigência do teto de gastos.
Ritmo considerado “surpreendente”
No Red Bull Ring, a Ferrari estreou uma especificação inédita de motor, uma asa dianteira revisada e diversas peças experimentais para o SF-26. “Estamos um pouco surpresos com a capacidade deles de levar alterações tão grandes ao carro”, declarou Wolff. O dirigente afirmou não enxergar espaço no orçamento de sua equipe para produzir quantidade semelhante de componentes e previu que a vantagem italiana tende a diminuir até o final do campeonato.
Evolução constante do SF-26
Desde o reinício da temporada – após os cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita –, a Ferrari praticamente não passou um fim de semana sem mudanças. Grandes pacotes aerodinâmicos foram introduzidos em Miami e Barcelona, seguidos por pequenas evoluções etapa após etapa. Um dos destaques é a asa traseira apelidada de “Macarena”, cujo plano superior gira 180 graus quando o modo de baixa resistência é ativado.
Motor também sob holofotes
Depois do GP de Mônaco, a FIA concluiu a primeira avaliação do programa Additional Development and Upgrade Opportunities (ADUO). O sistema concede recursos extras e liberdade de modificar itens congelados até 2027 para fabricantes abaixo do nível de referência. Ferrari e Audi, porém, já tinham atualizações prontas praticamente de imediato, indicando preparação antecipada.
Estratégias distintas no grid
Enquanto a Mercedes introduziu apenas uma melhoria de confiabilidade no conjunto de baterias na Áustria – fora do escopo do ADUO – e um grande pacote de chassi em Montreal, outras equipes adotam abordagens variadas. A Williams planeja trocar componentes somente ao fim da vida útil, com um conjunto amplo agendado para o GP do Azerbaijão. A Aston Martin mantém o mesmo carro praticamente intacto até uma atualização única na pausa de verão, e a McLaren lança pequenas evoluções sempre que possível enquanto desenvolve uma nova asa dianteira e sua própria versão da asa Macarena.
Preocupação com o limite de custos
Para Wolff, nenhuma concorrente acompanha o volume de peças que a Ferrari leva às pistas. “Os únicos que não desaceleram são eles. Red Bull e McLaren fazem algo parecido conosco: um grande pacote seguido de ajustes menores. A Ferrari parece não ter limites”, criticou o austríaco, sugerindo que o desenvolvimento do novo motor pode ter começado há cerca de seis meses.
Com a temporada ainda em andamento e a fiscalização sobre os gastos mais rigorosa do que nunca, resta saber se o ritmo de atualizações da Ferrari permanecerá inalterado ou se, como prevê Wolff, será contido pelas restrições orçamentárias até a última corrida do ano.
Com informações de Autoracing



