O chefe da Audi na Fórmula 1, Mattia Binotto, defendeu alterações no ADUO — mecanismo criado pela FIA para oferecer mais margem de desenvolvimento aos fabricantes de unidades de potência que estejam em desvantagem. Em entrevista publicada nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, o dirigente afirmou que o regulamento atual se baseia apenas no rendimento em pista, o que, segundo ele, pode mascarar o real potencial de um motor.
Questionamento sobre os critérios
Binotto explicou que um carro globalmente superior tem a possibilidade de não explorar todo o desempenho da sua unidade de potência, o que dificulta a verificação de eventuais vantagens ou desvantagens. “Um fabricante pode receber benefícios mesmo sem ter, de fato, um motor menos competitivo”, argumentou.
Para ilustrar, o italiano citou a Mercedes como caso hipotético: a equipe poderia dispor de um propulsor mais forte, mas não precisaria levá-lo ao limite por já contar com um chassi dominante. Nessas circunstâncias, pontuou, o construtor ainda poderia ser enquadrado como elegível a desenvolvimento extra.
Revisão sem críticas ao trabalho da FIA
Embora peça mudanças, Binotto fez questão de elogiar a atuação da federação. “A FIA possui todas as ferramentas e dados necessários para suas análises, ainda que qualquer sistema tenha limitações”, declarou.
Retomar o objetivo original
O dirigente ressaltou que a ideia inicial do ADUO era funcionar como rede de segurança, permitindo que quem ficasse muito atrás no início do ciclo regulamentar não carregasse a desvantagem por todo o período de congelamento técnico, estimado em cinco anos. O conceito, disse ele, é semelhante ao que já vigora para chassis e aerodinâmica, em que equipes colocadas mais atrás no campeonato recebem mais horas de túnel de vento.
“Para motores, a lógica deveria ser a mesma: oferecer oportunidades adicionais de evolução a quem realmente precisa, equilibrando o grid”, concluiu.
Com informações de Autoracing



