A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) discute alterar o procedimento de verificação da taxa de compressão dos motores de Fórmula 1 depois que equipes adversárias levantaram dúvidas sobre um possível benefício obtido pela Mercedes. A suspeita é que, em condições de corrida, a unidade de potência da equipe alemã alcance até 18:1 de compressão, apesar de cumprir o limite regulamentar de 16:1 nos testes estáticos em temperatura ambiente.
De acordo com especialistas ouvidos pelo site Autoracing, a hipótese envolve o uso de ligas metálicas com diferentes coeficientes de dilatação térmica. A teoria aponta que, a cerca de 300 °C — temperatura típica de operação —, as bielas do motor Mercedes se estenderiam alguns décimos de milímetro a mais que o bloco, reduzindo o volume da câmara de combustão e elevando a compressão real.
O tema ganhou força porque o Artigo C.5.4.3 do regulamento determina medições com o motor parado e em temperatura ambiente. Qualquer mudança nesse critério às vésperas da homologação dos propulsores exigiria redesenho de componentes e poderia custar dezenas de milhões de dólares às equipes.
Estima-se que a elevação para 18:1 gere entre 15 e 20 cv extras no motor de combustão interna, o que se traduziria em ganho total de 7,5 a 10 cv na unidade de potência. Rivais argumentam que apenas um combustível sintético com alto índice antidetonante — possivelmente desenvolvido pelo fornecedor da Mercedes — permitiria operar com segurança nessa faixa sem causar detonação precoce.
Alternativas de fiscalização
Para confirmar a compressão real em pista, a FIA analisa três possibilidades: instalação de sensores de posição de pistão de alta precisão, cruzamento de dados de pressão de combustão com consumo de combustível e testes laboratoriais com o motor aquecido em estufa até 300 °C. A medição após a corrida é considerada pouco eficaz, já que o motor esfria rapidamente e volta a exibir a relação de 16:1.
Se optar por medições em temperatura de operação já em 2026, a federação pode obrigar a Mercedes a rever partes internas do conjunto, eliminando a vantagem calculada. Por outro lado, engenheiros consultados defendem que a solução explora uma brecha legal, pois o regulamento não especifica a temperatura na qual a taxa deve ser verificada.
Entre as alternativas em debate, fontes consultadas sugerem que qualquer mudança maior seja postergada para 2027, permitindo que todas as equipes planejem novos projetos sem perder os investimentos já realizados.
Até o momento, a FIA não divulgou prazo para decidir se modificará o procedimento de inspeção ou se aplicará eventuais punições. A temporada 2026 começa em março, e os motores precisam ser homologados antes da primeira corrida.
Com informações de Autoracing



