Em 28 de janeiro de 2026, especialistas apontaram que a figura do projetista-estrela, apelidado de “mago” na Fórmula 1, caminha para a extinção. Regras técnicas mais restritivas, peças padronizadas e a adoção de softwares de engenharia relegam a criatividade individual a um espaço cada vez menor nos carros de corrida.
Regulamento dita o projeto
Segundo o atual livro de regras da categoria, diversos componentes são idênticos para todas as equipes, entre eles unidade de controle eletrônico, sistema de freios, caixa de câmbio, célula de sobrevivência e estruturas de impacto. Parte dos desenhos dessas peças fica hospedada em um servidor da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) como “fonte aberta”, permitindo apenas pequenas alterações supervisionadas pela entidade. Nessa lista estão a estrutura do assoalho dianteiro, o eixo de transmissão e a coluna de direção. As superfícies aerodinâmicas ainda oferecem liberdade, mas dentro de limites rigorosos.
De Colin Chapman a Adrian Newey
O primeiro grande nome dessa linhagem de projetistas foi Colin Chapman, que introduziu inovações hoje consideradas básicas: chassi monocoque (Lotus 25, 1962), radiadores laterais (Lotus 72, 1970), efeito solo e motor como elemento estrutural. Décadas depois, Adrian Newey é visto como o último representante dessa era ao circular pelos boxes da Aston Martin carregando sua prancheta. Porém, mesmo ele convive com ferramentas como CAD avançado, NX e CATIA, que integram modelagem 3D, automação de tarefas e simulações complexas.
Projetos realizados por grandes equipes de engenharia
Atualmente, um carro de Fórmula 1 exige o trabalho conjunto de vários departamentos especializados em aerodinâmica, suspensão, câmbio, direção e materiais compósitos. As equipes utilizam dinâmica de fluidos computacional, túnel de vento e softwares de análise de tensão para garantir que cada peça suporte as forças geradas em altas velocidades.
Papel do piloto também muda
Pilotos com perfil técnico, como Niki Lauda, Nelson Piquet e Alain Prost, tinham atuação decisiva no desenvolvimento do carro. Hoje, competidores mais jovens se concentram em extrair velocidade e seguir instruções transmitidas pelos engenheiros. Durante a prova, profissionais nos boxes e na fábrica avaliam condições de pista, vento, temperatura do asfalto, desgaste dos pneus e modos de motor para definir estratégias em tempo real.
A transição levanta a dúvida de qual dos pilotos multicampeões em atividade, Lewis Hamilton ou Fernando Alonso, deixará primeiro o grid — o que permanecer pode ser visto como “o último dos moicanos” de uma geração que combinava velocidade e profundo conhecimento técnico.
Com informações de Autoracing



