No GP do Azerbaijão, a Ferrari enfrentou um dilema em busca do equilíbrio do SF-26, resultando em escolhas opostas entre Charles Leclerc e Lewis Hamilton. Ambos os pilotos competiram com configurações aerodinâmicas diferentes, refletindo a dificuldade em encontrar um ajuste ideal no desafiador circuito de Baku.
A principal diferença estava nos bargeboards, localizados na borda de entrada do assoalho. Leclerc optou por manter a configuração tradicional, que priorizava um único elemento vertical mais inclinado, visando aumentar a velocidade nas retas longas. Por outro lado, Hamilton, insatisfeito com o desempenho de seu carro nos treinos livres, decidiu modificar sua configuração, adotando três elementos verticais na endplate, em busca de maior carga aerodinâmica.
A escolha de Hamilton pretendia melhorar a tração e a estabilidade no eixo traseiro, além de facilitar o aquecimento dos pneus dianteiros, um dos pontos fracos do piloto durante o fim de semana. Contudo, essa configuração, que aumentou o downforce, também trouxe um aumento no arrasto, resultando em um comportamento complicado nas curvas.
No decorrer da corrida, a estratégia de menor arrasto de Leclerc mostrou-se mais eficaz. O monegasco teve um desempenho superior, completando uma volta rápida que foi 0s386 mais rápida do que a de Hamilton. A telemetria da corrida evidenciou o impacto das duas abordagens: na reta do primeiro setor, Leclerc obteve uma vantagem de 0s177, enquanto Hamilton se destacou no setor intermediário, sendo 0s099 mais rápido devido à sua maior carga aerodinâmica.
A diferença na velocidade máxima também foi sutil, com Leclerc alcançando 341,9 km/h contra 340,1 km/h de Hamilton. Esse desencontro técnico entre os dois pilotos revela a encruzilhada que a Ferrari enfrenta na temporada de 2026, onde, mesmo com atualizações e o novo motor ADUO2, a equipe precisa buscar ajustes extremos que comprometem a eficiência aerodinâmica, prejudicando a competitividade contra Red Bull e McLaren.
Fonte: Motor Sport UOL.



