O presidente-executivo da McLaren, Zak Brown, voltou a condenar o modelo de equipes A/B e a copropriedade dentro da Fórmula 1. Em entrevista publicada nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, pelo portal RacingNews365, o dirigente sustentou que a prática ameaça a integridade esportiva da categoria e compromete a percepção dos torcedores.
Modelo da Red Bull no centro das atenções
Brown citou a Red Bull — que controla a Racing Bulls — como exemplo mais evidente de estrutura dupla. Segundo ele, essa configuração facilita trocas rápidas de pessoal e compartilhamento de informações técnicas que outras equipes independentes não conseguem replicar.
Um caso recente envolve o engenheiro Gianpiero Lambiase, peça-chave no trabalho com Max Verstappen em Milton Keynes. A McLaren só poderia contratá-lo a partir de 2028, prazo que, de acordo com Brown, evidencia a dificuldade de acesso a profissionais sob o mesmo grupo empresarial.
Em sentido oposto, a Red Bull reagiu a saídas internas contratando Andrea Landi, vindo da equipe irmã, com início previsto para julho — movimentação concluída em apenas dois meses.
Exemplos que alimentam a controvérsia
Brown lembrou outros episódios que, segundo ele, reforçam o risco competitivo:
- GP de Singapura de 2024 – Daniel Ricciardo registrou a volta mais rápida e retirou um ponto da McLaren, favorecendo outra escuderia do mesmo grupo.
- Casos dos dutos de freio – A antiga Racing Point, hoje Aston Martin, foi acusada de violar propriedade intelectual em 2020.
- Rotatividade de funcionários – A relação Ferrari–Haas foi apontada como exemplo de transferência acelerada de conhecimento técnico, o que, para Brown, cria vantagem injusta e pressiona o teto orçamentário.
Comparação com o futebol europeu
Para ilustrar o potencial conflito de interesses, Brown comparou a situação da F1 a cenários do futebol. Ele mencionou a possibilidade de dois clubes do mesmo conglomerado precisarem de resultados distintos na reta final de liga, algo que ligas de futebol já tentam coibir. Como exemplo, citou o Crystal Palace, que foi deslocado da Europa League para a Conference League por ligação societária com o Lyon.
Pedido por regras mais rígidas
O executivo defendeu que o limite aceitável de colaboração se restrinja ao fornecimento de unidades de potência. “Precisamos nos afastar das equipes A/B o mais rápido possível”, afirmou, frisando que a categoria conta atualmente com 11 equipes e que todas devem manter independência total para não afastar o público.
Com informações de Autoracing



