Silverstone (17.fev.2026) — A adoção de uma transmissão desenvolvida internamente expôs a Aston Martin a um novo desafio técnico em meio à estreia do regulamento de unidades de potência previsto para 2026. De acordo com o jornal espanhol Marca, o câmbio criado na fábrica de Silverstone não suporta as exigências impostas pela nova era híbrida da Fórmula 1.
Regras de 2026 elevam a carga sobre o conjunto mecânico
A partir deste ano, a equipe deixou de utilizar caixas de câmbio fornecidas pela Mercedes e passou a operar com projeto próprio. A mudança coincide com um regulamento que aumentou a dependência da recuperação de energia, exigindo reduções de marcha mais agressivas — em algumas curvas, os pilotos engatam a primeira marcha durante a frenagem para maximizar o reaproveitamento.
Nos testes de pré-temporada no Bahrein, Max Verstappen foi um dos primeiros a dominar a técnica, inspirando outros competidores. Contudo, o sucesso dessa manobra depende do alinhamento entre motor, câmbio e estilo de pilotagem. “Quando um desses elementos sai da janela ideal, todo o pacote perde eficiência”, resumiu Carlos Sainz.
Redesenho pode levar seis meses
Especialistas ouvidos pelo Marca estimam que a caixa de velocidades da Aston Martin necessite de um redesenho completo para suportar curvas de alta rotação combinadas com marchas baixas. O processo pode consumir até seis meses, projetando uma solução apenas para julho — prazo que coincide com a previsão já feita por Fernando Alonso de que o time só seria plenamente competitivo na segunda metade do campeonato.
Vibrações do motor Honda agravam cenário
Relatos indicam que o motor a combustão da Honda apresenta vibrações em regimes elevados, fator que pode comprometer ainda mais a durabilidade da nova transmissão. Como a homologação das unidades de potência está marcada para 1.º de março, uma alteração física antes da abertura do campeonato em Melbourne é considerada improvável. Por enquanto, a equipe trabalha apenas em atualizações de software.
Possível intervenção da FIA
O regulamento prevê um mecanismo de balanceamento para fabricantes com desempenho inferior, e fontes no paddock acreditam que a Aston Martin poderá recorrer a essa ferramenta caso o déficit técnico persista até 2027.
Declarações internas
Pedro de la Rosa, embaixador da escuderia, evitou apontar um único culpado: “Hoje tudo é um pacote. Precisamos tornar o carro mais robusto como um todo”.
Mesmo diante das dificuldades, Fernando Alonso mantém otimismo. O bicampeão ressaltou que o modelo que disputará o GP da Austrália será “muito diferente” daquele visto nos testes e destacou a experiência de Adrian Newey no processo de evolução: “Eventualmente teremos o melhor carro. É questão de tempo”.
Com a expectativa de um redesenho demorado e possíveis ajustes regulatórios, a Aston Martin inicia a temporada ciente de que precisará de paciência — e resultados a médio prazo — para atingir o nível almejado.
Com informações de Autoracing



