Uma troca de especificação na unidade de potência Mercedes, obrigatória pelo regulamento, deve redefinir o equilíbrio competitivo já na abertura da temporada 2026 da Fórmula 1. O primeiro treino livre do Grande Prêmio da Austrália ocorre na próxima quinta-feira, 5 de março, às 22h30 (horário de Brasília), no circuito de Albert Park, em Melbourne.
McLaren à espera de até 15 hp extras
Durante os testes de pré-temporada no Bahrein, Lando Norris e Oscar Piastri apareceram apenas com o terceiro ou quarto melhor conjunto. A McLaren, bicampeã de construtores (2024 e 2025) e atual campeã de pilotos com Norris, ainda não utilizava o propulsor mais recente fornecido pela Mercedes. Dados internos indicam que a atualização pode entregar cerca de 15 hp adicionais, embora haja relatos de falhas de confiabilidade observadas no protótipo testado pela própria equipe oficial de Brackley.
Se o ganho de desempenho se confirmar, a formação de Woking espera reduzir – ou mesmo eliminar – a diferença registrada para a Ferrari nos treinos: Charles Leclerc liderou a última sessão no Bahrein com 1:31.992, quase um segundo à frente de Kimi Antonelli, enquanto os tempos da McLaren ficaram aquém das expectativas.
Ferrari observa de perto
A possibilidade de Norris e Piastri voltarem à briga direta pela vitória preocupa Maranello. Além da potência extra, a McLaren levará novas peças aerodinâmicas para Melbourne, combinação que pode colocar o time britânico à frente de Leclerc e do recém-contratado Lewis Hamilton.
Polêmica das taxas de compressão
O motor Mercedes também está no centro de uma controvérsia técnica. O regulamento atual fixa a taxa de compressão em 16:1, medida em temperatura ambiente. Rivais como Ferrari, Honda, Audi e Red Bull suspeitam que, em condições de corrida – com temperaturas internas superiores a 200 °C –, a taxa real do propulsor alemão chegue a 18:1, oferecendo vantagem de desempenho. Já as clientes McLaren, Alpine e Williams resistem a qualquer alteração imediata nas regras.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) estuda um novo protocolo, que passaria a medir a compressão também a 130 °C. Mudanças, porém, só seriam aplicadas em agosto. Enquanto isso, Toto Wolff (Mercedes) minimiza o tema, classificando-o como “tempestade em copo d’água”, e Fred Vasseur (Ferrari) diz não esperar consequências significativas no curto prazo.
Com a troca de motor confirmada para Melbourne, o fim de semana australiano promete ser o primeiro teste real do potencial da McLaren em 2026 e poderá oferecer indícios do rumo que o campeonato tomará nas próximas etapas.
Com informações de Autoracing



