HomeFórmula 1Atualização de motor expõe duas fragilidades da Ferrari no GP da Áustria

Atualização de motor expõe duas fragilidades da Ferrari no GP da Áustria

O Grande Prêmio da Áustria, disputado no domingo (28) no Red Bull Ring, transformou a euforia da vitória em Barcelona em um duro revés para a Ferrari. A equipe de Maranello, que levou sua primeira atualização de unidade de potência para 2026, terminou apenas como quarta força do grid e revelou dois pontos fracos decisivos: déficit de desempenho do motor híbrido e alto desgaste dos pneus traseiros.

Classificação enganosa

No sábado, Charles Leclerc largou da segunda posição e Lewis Hamilton da quarta, ambas as vagas obtidas após uma sessão marcada por bandeira amarela causada pelo acidente de Max Verstappen (Red Bull). George Russell garantiu a pole mesmo reduzindo a velocidade, enquanto Kimi Antonelli, também Mercedes, abortou a última tentativa ao confundir o tipo de bandeira. A interrupção mascarou a real diferença: a Ferrari, segundo as projeções internas, deveria ficar entre quatro e cinco décimos atrás dos alemães.

Primeira fraqueza: unidade de potência

A atualização de motor foi autorizada pela FIA porque as primeiras medições do sistema ADUO apontaram o motor de combustão interna da Ferrari mais de 4 % abaixo da referência. Fontes citadas indicam um déficit real entre 6 % e 8 % em relação à Red Bull Powertrains. No Red Bull Ring, onde há poucas frenagens fortes e longas retas, o problema de deployment ficou claro: dados de GPS mostram perda de até 20 km/h antes da Curva 4, situação que obrigou Leclerc a antecipar o recarregamento de energia e permitiu a ultrapassagem de Antonelli na Curva 9.

O pacote híbrido também ficou em evidência. Hamilton destacou que a Mercedes dispunha de “muito mais potência” no fim das retas, sem saber, segundo ele, “exatamente de onde vinha”. A Ferrari trabalha em um turbo maior, previsto para estrear após a pausa de verão, em Zandvoort ou Monza, enquanto a Mercedes já introduziu melhorias de confiabilidade e planeja nova atualização ainda em 2026, graças às mesmas regras do ADUO.

Segunda fraqueza: pneus traseiros

Com temperatura de pista próxima dos 50 ºC, o Red Bull Ring impôs carga elevada sobre o eixo traseiro. A estratégia de duas paradas era a mais rápida, mas a Ferrari precisou recorrer a três pit-stops para conter a degradação. Leclerc terminou em oitavo, 19 s atrás de Hamilton, que foi quinto. O monegasco relatou “falta de aderência na traseira durante toda a corrida”.

A equipe ainda ampliou as entradas de ar na carenagem para resfriar o motor, solução que aumentou o arrasto e, possivelmente, contribuiu para o desgaste dos pneus.

Estratégia e consequências

O chefe de equipe Fred Vasseur admitiu que Ferrari e pilotos concentraram-se em acompanhar a Mercedes, quando a disputa real deveria ter sido contra McLaren e Red Bull. Hamilton revelou que queria largar com pneus macios para um primeiro stint mais agressivo, mas o time optou pelos médios.

Próximo teste: Silverstone

A etapa britânica, marcada para 5 de julho, possui longas retas e poucas zonas fortes de frenagem, características semelhantes às da Áustria. Hamilton antecipou que a demanda de entrega de potência em Silverstone voltará a desafiar a Ferrari, enquanto simulações indicam dificuldades para carregar a bateria em ritmo de corrida.

Até a chegada do novo turbo e de melhorias no software híbrido, a equipe italiana deve alternar fins de semana competitivos em pistas favoráveis, como Barcelona, com corridas mais difíceis em traçados que punem o deployment e exigem maior cuidado com os pneus traseiros.

Com informações de Autoracing

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