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Montoya critica Leclerc por desobedecer ordens da Ferrari

Juan Pablo Montoya, ex-piloto de Fórmula 1, expressou sua opinião sobre a postura de Charles Leclerc ao desobedecer uma ordem da Ferrari durante o GP da Holanda, realizado em Zandvoort. Segundo ele, ao não permitir que Lewis Hamilton o ultrapassasse, Leclerc abriu uma “horrível caixa de Pandora” que pode trazer repercussões internas para a equipe.

No 42º giro da corrida, Hamilton estava logo atrás de Leclerc, com pneus mais novos e tempos de volta significativamente mais rápidos. A equipe italiana havia solicitado que Leclerc fizesse uma parada nos boxes, já que ele seguia uma estratégia diferente da de Hamilton, que lutava por um lugar no pódio.

Contudo, Leclerc decidiu postergar a entrada nos boxes, mesmo após receber uma segunda solicitação. Essa escolha deixou Hamilton irritado, que não hesitou em se manifestar pelo rádio: “Ótima maneira de perder tempo, pessoal. Bom trabalho.”

A indignação de Hamilton não parou por aí. Posteriormente, ele questionou se a Ferrari o estava tratando como uma “cobaia” e expressou preocupação com a estratégia, especialmente em relação à pressão de Kimi Antonelli e Lando Norris. Ao final da corrida, Hamilton terminou em quarto lugar, logo atrás dos três primeiros, e pediu desculpas publicamente pelas mensagens enviadas pelo rádio, alegando que suas reações foram fruto do “calor do momento”.

Montoya, no entanto, acredita que a situação não se encerra com um pedido de desculpas. Para ele, a atitude de Leclerc criou um risco desnecessário para o clima interno da Ferrari.

Em entrevista à AS Colombia, Montoya comparou o incidente da Ferrari em Zandvoort com uma situação ocorrida na Mercedes, onde George Russell deixou Kimi Antonelli passar para tentar alcançar Lando Norris, que acabou vencendo a corrida. De acordo com Montoya, a Mercedes gerenciou a situação de forma muito mais eficiente. “Isso é um problema. A Mercedes fez isso muito bem, executou de forma exemplar”, afirmou.

O ex-piloto também foi incisivo ao criticar a atitude de Leclerc. “O que ele fez ao desobedecer ao engenheiro foi abrir uma caixa de Pandora, pois ele está sinalizando à equipe que está acima das ordens e que, se não concordar com algo, não vai cumprir. Isso não pode acontecer. É terrível, pois cria um ambiente negativo e gera conflitos dentro da equipe.”

Apesar das críticas a Leclerc, Montoya não acredita que Hamilton teria alcançado o pódio mesmo se o monegasco tivesse obedecido à ordem da Ferrari. Contudo, ele acredita que Hamilton teria terminado muito mais próximo dos líderes. “Não, eu não acho que ele teria chegado ao pódio, mas teria ficado muito mais perto. Ele desgastou muitos pneus tentando ultrapassar e seguir Leclerc”, explicou.

Para Montoya, a Ferrari deveria ter adotado uma abordagem mais firme na disputa entre os pilotos. “O que deveriam ter feito com Charles era dizer: ‘Você precisa encontrar mais quatro décimos ou precisamos trocar as posições. Você tem duas voltas’. Hamilton estava ganhando meio segundo por volta”, sugeriu.

Na avaliação do ex-piloto da Williams, a equipe complicou ainda mais a situação ao discutir a estratégia pelo rádio. “Em vez de entrar em uma conversa e expor os problemas internos, decidiram pedir a Charles que entrasse nos boxes. E então ele não obedece… Ele está basicamente dizendo: ‘Não vou ouvir você quando se trata de Hamilton’.”

Apesar de considerar o episódio grave, Montoya não vê a tensão entre Hamilton e Leclerc como algo incomum. Para ele, os dois não precisam manter uma relação tão próxima quanto a que é mostrada nas redes sociais. “É corrida; é normal que a relação deles não seja tão boa quanto as pessoas pensam ou como aparece no TikTok, no Instagram ou em qualquer outro lugar. Isso é normal. O que aconteceu é algo que sempre ocorria quando eu competia. Toda semana havia o mesmo drama”, concluiu.

Fonte: Autoracing Fórmula 1.

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