Carlos Sainz pediu que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Formula One Management (FOM) mantenham margem para ajustes rápidos no novo regulamento de unidades de potência que estreia em 2026. O espanhol, que também é diretor da Grand Prix Drivers Association (GPDA), afirmou que a categoria não pode ficar presa a regras “rígidas” caso o espetáculo seja prejudicado.
Novo equilíbrio de potência
Pelo regulamento que entra em vigor em 2026, cada unidade de potência terá divisão de 50% entre motor a combustão e sistema elétrico, cujo pico de potência saltará de 120 kW para 350 kW. Com isso, a gestão de energia deixa de ser mero detalhe estratégico e passa a determinar o desempenho volta a volta.
Nos testes de pré-temporada, o cenário já revelou a necessidade frequente de “lift and coast” — técnica em que o piloto alivia o acelerador antes das freadas para economizar carga. Durante essas sessões, Max Verstappen classificou as regras como “anticorrida” e comparou a F1 a “uma Fórmula E com esteroides”.
Pistas com efeitos distintos
Sainz observa que circuitos com fortes zonas de frenagem, como o Bahrein, tendem a mascarar parte do problema graças à maior regeneração de energia. Mesmo assim, disse que o equilíbrio ali ainda não parece ideal.
O alerta maior recai sobre o Grande Prêmio da Austrália. No traçado de Albert Park há apenas uma grande freada, enquanto o trecho entre as curvas 6 e 13 é percorrido praticamente em aceleração total. Além disso, as mudanças rápidas de direção nas curvas 11 e 12 reduzem ainda mais as oportunidades de recuperar energia, o que deve tornar Melbourne o primeiro grande teste das novas regras.
Aviso do diretor da GPDA
Como representante dos pilotos, Sainz ressaltou que ninguém conseguiu prever com precisão o nível de downforce, o arrasto aerodinâmico ou a distribuição de energia que cada equipe escolherá. Por isso, defende que FIA e FOM estejam preparadas para “ajustes pontuais” assim que os dados de corrida revelarem possíveis excessos na coleta ou no uso de energia.
“É melhor começar o campeonato com margem de adaptação do que descobrir tarde demais que algo compromete o espetáculo”, concluiu o espanhol.
Com informações de Autoracing



