Paris, 4 de agosto de 2026 – A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) refutou as críticas de que não havia previsto os contratempos provocados pelo regulamento técnico da Fórmula 1 válido a partir de 2026. Segundo o diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis, os riscos foram mapeados com antecedência, mas o sistema de governança da categoria e a falta de apoio dos fabricantes impediram alterações antes do início do campeonato.
Insatisfação após Spa
As reclamações ganharam força depois do Grande Prêmio da Bélgica, quando vários pilotos apontaram que os novos carros, mais dependentes da gestão de energia, tiraram parte do caráter tradicional de Spa-Francorchamps. Carlos Sainz (Williams) questionou a aprovação das regras, enquanto Lewis Hamilton (Ferrari) sugeriu responsabilizar quem tomou as decisões.
Governança travou mudanças
Tombazis afirmou que, nos dois anos que antecederam a estreia do regulamento, a FIA tentou implementar ajustes, entre eles a redução da energia máxima disponível em corrida. Essas propostas, porém, exigiam aval conjunto da FIA, da Formula One Management (FOM) e de ao menos quatro dos cinco fabricantes de unidades de potência – número que não foi alcançado.
Para equilibrar o tratamento entre fornecedores atuais e novos, como a Audi, foi criado um Comitê Consultivo de Unidades de Potência. Nesse modelo, nenhuma marca poderia se beneficiar de exceções financeiras ou operacionais, mas a mesma estrutura limitava a capacidade da FIA de alterar o regulamento de forma unilateral.
Medidas emergenciais e plano até 2028
Diante do impasse, a Fórmula 1 aprovou intervenções de emergência que passaram a valer no GP de Miami. Além disso, definiu-se um cronograma para mudar gradualmente a divisão de potência entre motor a combustão e bateria, saindo da proporção nominal de 50/50 para 60/40 até 2028.
Tombazis reconheceu que as decisões poderiam ter sido tomadas antes: “Em um cenário ideal, teríamos feito isso dois anos atrás.” Mesmo assim, ele avaliou que as corridas continuam atraentes, apesar do domínio da Mercedes, graças às disputas em pista.
O dirigente concluiu que a FIA identificou antecipadamente os pontos críticos do regulamento, mas dependia do consenso dos fabricantes para corrigi-los. Como esse apoio não veio, a temporada de 2026 começou já sob questionamentos que a federação diz ter sinalizado previamente.
Com informações de Autoracing



