A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) estuda introduzir, a partir de agosto de 2026, um novo procedimento que verificará a taxa de compressão dos motores de Fórmula 1 a 130 graus Celsius. A iniciativa pretende impedir que equipes explorem a expansão térmica de componentes internos para ultrapassar, em pista, o limite geométrico de 16:1 atualmente previsto no regulamento.
Janela para materiais de alta dilatação
Nas condições de corrida, o bloco e o cabeçote dos propulsores alcançam temperaturas entre 120 °C e 130 °C mesmo com refrigeração constante, enquanto pistões e válvulas de escape podem chegar a 300 °C. Essa diferença cria espaço para o uso de ligas metálicas exóticas que se expandem de forma não linear, permitindo que um motor declarado dentro do limite nos 130 °C atinja, por exemplo, 17:1 quando a temperatura interna sobe para 250 °C.
Recursos técnicos em jogo
A engenharia da categoria já emprega aço inoxidável, titânio e estruturas produzidas por impressão 3D em componentes como bielas e cabeçotes. O objetivo é controlar com precisão a dilatação desses elementos durante as fases de maior exigência, extraindo potência adicional sem comprometer a resistência mecânica — algo fundamental diante das pressões elevadas previstas para os combustíveis sustentáveis que entrarão em uso em 2026.
Desafio de fiscalização
Apesar de tornar mais rígido o controle, o ensaio a 130 °C não fecha completamente a porta para soluções criativas, segundo engenheiros consultados. Detectar variações dinâmicas de compressão em plena aceleração permanece como um obstáculo técnico relevante para os comissários.
Próximos passos regulatórios
O novo teste já recebeu sinal verde das equipes, mas ainda necessita da aprovação formal da FIA, da Formula One Management (FOM) e do Conselho Mundial de Automobilismo. Se ratificada, a medida substituirá a verificação em temperatura ambiente, considerada uma brecha pelas fabricantes. A possível mudança é acompanhada de perto por rivais como Ferrari e Honda, interessadas em igualar os ganhos obtidos pela Mercedes com a expansão térmica.
Com informações de Autoracing



