A aplicação da regra de bandeira amarela voltou a gerar controvérsia na Fórmula 1 depois que Kimi Antonelli recebeu uma punição no Grande Prêmio da Hungria, perdendo três posições no grid por, segundo os comissários, não diminuir suficientemente a velocidade durante o incidente de Max Verstappen no Q3.
Antonelli havia registrado o quarto melhor tempo em Hungaroring, mas a decisão dos fiscais recolocou o tema em debate poucas semanas após George Russell escapar de sanção semelhante no GP da Áustria. Na ocasião, o britânico tirou o pé no ponto do acidente e manteve a pole, enquanto o italiano optou por abandonar a volta.
Comparações divergentes
Dados analisados posteriormente indicaram que Russell perdeu cerca de 0s08 em relação à volta anterior em Spielberg, ao passo que Antonelli reduziu aproximadamente 0s6 em Budapeste. Mesmo assim, os comissários consideraram a desaceleração do piloto da Mercedes insuficiente.
No podcast da equipe, o “Nu Silver Arrows Radio Show”, o ex-piloto Anthony Davidson afirmou que o caso foi “equilibrado” e que ele próprio não sabia qual seria o veredito. “Kimi reagiu de imediato, levantou antes do normal e entrou na curva mais lento”, comentou.
Visões dentro da Mercedes
O diretor-adjunto Bradley Lord detalhou que Antonelli começou a aliviar cerca de 15 metros antes do ponto usual de frenagem, mas isso não bastou para satisfazer o entendimento dos fiscais. “Na Áustria ele abortou totalmente a volta; desta vez, a redução não foi considerada suficiente”, explicou.
Já Simone Resta, diretor técnico-adjunto, questionou o parâmetro utilizado na análise. Segundo ele, a volta de referência “não refletia o verdadeiro ritmo” do italiano naquele trecho. Resta acrescentou que, ao comparar com registros do TL3 — quando o carro estava mais pesado — Antonelli ainda foi mais rápido, mesmo tendo aliviado.
Regra sem valor numérico
O regulamento da FIA não estabelece percentual ou tempo exato de redução sob bandeira amarela, deixando a avaliação a cargo dos comissários. Por isso, integrantes do paddock sugerem que todo carro parado na classificação gere automaticamente bandeira amarela dupla, eliminando ambiguidades.
Anthony Davidson, entretanto, revelou não haver consenso nem entre os pilotos. “Conversei com alguns, incluindo George Russell, e a discordância continua. Alguns defendem a bandeira dupla obrigatória; outros acham injusto quando o incidente ocorre fora da trajetória e compromete uma volta rápida”, relatou.
Bradley Lord reconheceu a complexidade do trabalho da direção de prova. “Cada caso é diferente. As curvas variam, as áreas de escape também, e nunca existem duas situações idênticas. A consistência é muito difícil”, concluiu.
Com informações de F1Mania.net



