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RD Congo critica GP de Ruanda e alerta a F1 sobre implicações éticas

A República Democrática do Congo (RD Congo) manifestou sua desaprovação em relação à decisão da Fórmula 1 de realizar um Grande Prêmio em Ruanda. A ministra das Relações Exteriores, Thérèse Kayikwamba Wagner, afirmou ter alertado Stefano Domenicali, CEO da F1, sobre as implicações éticas do acordo antes de sua assinatura.

A categoria firmou um contrato de dez anos para a realização do GP da África em um circuito que está sendo construído em Bugesera, a aproximadamente 40 km de Kigali, capital ruandesa. A corrida está prevista para estrear no início da década de 2030. O projeto é desenvolvido pela empresa de Hermann Tilke, em parceria com Alexander Wurz, mas os valores envolvidos ainda não foram divulgados.

A F1 argumenta que a iniciativa visa expandir sua presença em todos os continentes habitados, destacando que possui uma base de mais de 100 milhões de fãs na África e que eventos dessa natureza podem trazer benefícios econômicos significativos para as regiões anfitriãs.

No entanto, a escolha de Ruanda gera controvérsia devido às graves acusações relacionadas ao conflito no leste da RD Congo. Documentos da ONU indicam a presença de soldados ruandeses ao lado do grupo rebelde M23, além de relatos sobre o fornecimento de armamentos a esses insurgentes. Em resposta, o Conselho de Segurança da ONU exigiu a retirada das forças ruandesas do território congolês, onde mais de sete milhões de pessoas foram deslocadas pelos confrontos.

Além disso, investigações da ONU e da organização Global Witness alegam que grupos envolvidos no conflito estão extraindo ilegalmente minerais, como coltan, de áreas controladas pelos rebeldes. Ruanda nega qualquer envolvimento militar e rejeita as acusações de contrabando, afirmando que sua presença no leste congolês é uma resposta a ameaças defensivas.

Wagner reiterou que, embora o retorno da F1 à África seja bem-vindo, a escolha de Ruanda para sediar a corrida pode beneficiar um regime autoritário, cuja governança está relacionada a uma guerra devastadora na RD Congo. “Permitir que Ruanda receba um GP seria moralmente indefensável”, afirmou a ministra em uma declaração ao The Athletic.

Ela destacou a gravidade da situação humanitária na RD Congo, onde conflitos sucessivos resultaram em milhões de mortes e o sofrimento contínuo de civis. “A exploração ilegal de minerais congoleses beneficia diretamente Ruanda”, acrescentou.

Wagner concluiu pedindo que a F1 tome medidas para garantir que a corrida não contribua para o conflito, sugerindo que a categoria exija garantias de que nenhum recurso utilizado na realização do evento advém de atividades ligadas à exploração mineral ilegal.

Fonte: Autoracing Fórmula 1.

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