A Ferrari experimentou durante a sexta-feira de treinos do GP da Hungria de 2026 o mesmo procedimento que a Mercedes vem utilizando para contornar a redução progressiva da potência elétrica – o chamado ramp-down – nas voltas de classificação. A manobra exige que o piloto alivie o acelerador instantes antes da linha de chegada, preservando parte da energia armazenada na bateria para garantir potência máxima até cruzar o cronômetro.
De acordo com o site britânico The Race, Charles Leclerc e Lewis Hamilton testaram a técnica na sessão livre de sexta. Após análise de telemetria, a equipe concluiu que o desenho do Hungaroring não oferecia ganho suficiente para justificar o risco de uma eventual infração ao regulamento e decidiu abandonar o método antes da classificação.
Como funciona o artifício
Pelas regras em vigor desde 2026, a unidade de potência deve reduzir a entrega elétrica em estágios mínimos de 50 kW por segundo quando a bateria atinge carga zero. No entanto, se o piloto tira o pé do acelerador antes que a bateria se esgote, o sistema pode manter parte dos 350 kW disponíveis e liberá-los integralmente até a linha de chegada.
A Mercedes aperfeiçoou a estratégia depois que uma versão inicial, baseada no desligamento emergencial do MGU-K, foi vetada pela FIA após o GP do Japão. A formação de Brackley passou a usar um sinal sonoro no cockpit, desenvolvido em simulador, para indicar o momento exato de aliviar o pedal. Com isso, Kimi Antonelli e George Russell obtiveram as poles em Silverstone e Spa utilizando o recurso.
Testes da Ferrari em Budapeste
No Hungaroring, a telemetria de sexta-feira mostrou Leclerc reduzindo o acelerador antes da linha e mantendo a velocidade por inércia, permitindo à Ferrari medir a energia preservada. Hamilton repetiu o procedimento na mesma sessão. Um dia depois, ambos completaram as voltas lançadas com o pedal totalmente pressionado, procedimento considerado mais seguro pela equipe.
Eficácia varia de acordo com o circuito
O benefício do artifício depende da distância entre a última curva e a linha de chegada e da quantidade de energia restante na bateria. Pistas como Melbourne, Silverstone e Spa – com trechos finais mais curtos e menor disponibilidade de carga – tendem a oferecer maior retorno do que Budapeste. Projeções indicam um ganho aproximado de 0,050 s, margem que pode ser decisiva em disputas apertadas pela pole.
Ainda que a FIA já tenha confirmado a legalidade do procedimento, o erro de cálculo no momento da redução pode levar à violação da regra de ramp-down e resultar em desclassificação. Por isso, cada equipe avalia a relação risco-recompensa a cada etapa do calendário. Na Hungria, nem mesmo a Mercedes recorreu ao recurso na tomada de tempo.
Os testes realizados em Budapeste indicam que a Ferrari poderá voltar a utilizar a técnica em circuitos considerados mais favoráveis ao artifício nas próximas rodadas da temporada.
Com informações de Autoracing



